
O setor da segurança em Portugal tem vindo a crescer de forma consistente, impulsionado pela evolução tecnológica e pela crescente integração entre segurança física e digital. À medida que as organizações enfrentam novos desafios em matéria de eficiência, escalabilidade e proteção de dados, a tecnologia assume um papel cada vez mais estratégico nas decisões de segurança.
Neste contexto, a Axis Communications, empresa líder em sistemas de vídeo em rede a nível global, indica hoje as principais tendências tecnológicas que vão afetar o setor da segurança em 2026:
Nos últimos anos, o envolvimento dos departamentos de TI nas decisões relacionadas com segurança física tem vindo a aumentar de forma consistente. Atualmente, os departamentos de segurança e de TI trabalham de forma cada vez mais integrada, com este último a assumir um papel determinante nas decisões de aquisição de soluções de segurança física. Esta convergência está a alterar profundamente a forma como as organizações escolhem soluções de segurança. Esta abordagem, conhecida como “ecossistema em primeiro lugar” (ecosystem first), passa a orientar quase todas as decisões subsequentes.
Em 2026, observamos uma tendência clara: as decisões iniciais são cada vez mais determinadas pelo ecossistema de soluções com o qual os clientes pretendem comprometer-se. Tal como no universo de TI, a escolha começa pelo ecossistema e só depois se definem o hardware, o software e as aplicações compatíveis.
Num contexto em que as soluções atuais integram múltiplos dispositivos, sensores e capacidades analíticas sem precedentes, a integração, configuração, gestão e escalabilidade perfeitas tornam-se fatores críticos. Paralelamente, a gestão do ciclo de vida do produto, incluindo o suporte contínuo ao software, torna-se mais eficaz dentro de um único ecossistema.
Em 2026, comprometer-se com um ecossistema robusto, suportado por um fornecedor principal e por uma rede ativa de parceiros, será uma decisão estratégica para garantir soluções de segurança sustentáveis e preparadas para o futuro.
À semelhança do ano passado, as arquiteturas híbridas continuam a afirmar-se como o modelo preferencial no setor da segurança. No entanto, em 2026 observa-se uma mudança clara no equilíbrio entre Edge, Cloud e infraestruturas locais.
O Edge e a Cloud ganham protagonismo, reduzindo a dependência de servidores locais, impulsionados pelo aumento da capacidade de processamento nas câmaras e pelas ferramentas analíticas avançadas na Cloud.
As câmaras de vigilância com IA incorporada são hoje capazes de executar tarefas anteriormente dependentes de servidores centrais, como a análise avançada de imagem e a criação de metadados relevantes. Em paralelo, a Cloud permite transformar grandes volumes de dados em insights acionáveis, apoiando decisões operacionais mais eficientes.
Apesar de continuarem a existir casos de utilização legítimos para recursos locais, como os gravadores de vídeo em rede, o verdadeiro valor estratégico desloca-se cada vez mais para a combinação inteligente entre Edge e Cloud.
Em última análise, esta tendência responde simultaneamente à procura de eficiência por parte dos departamentos de TI, ao desejo das equipas de segurança de soluções eficazes e de qualidade, e às necessidades de ambos relativamente à integridade e segurança dos dados. Mesmo sendo as arquiteturas híbridas uma tendência, não devemos esquecer que a grande maioria das soluções continua fortemente baseada em instalações locais, e que tal continuará a ser relevante durante bastante tempo.
Em muitos setores, como o automóvel, só recentemente se reconheceu a necessidade e o potencial do Edge Computing. Contudo, o valor de aumentar as capacidades informáticas dos dispositivos Edge tem uma sido previsão constante da Axis nas tendências tecnológicas dos últimos vários anos. As capacidades melhoradas marcam o início de uma nova era do Edge Computing.
Em 2026, esta tendência acelera, impulsionada pela maturidade da IA integrada nos dispositivos. A IA incorporada nos dispositivos Edge está cada vez mais potente, exigindo tomar decisões estratégicas sobre onde implementar a IA em soluções de vigilância – equilibrando o processamento no Edge com a análise na Cloud. As câmaras e sensores com IA no Edge permitem maior precisão, respostas mais rápidas e uma utilização mais eficiente dos recursos.
O processamento local gera dados operacionais e metadados essenciais para funcionalidades como pesquisas inteligentes e análises globais do sistema, permitindo uma escalabilidade natural à medida que novos dispositivos são adicionados. Para além disso, os avanços em cibersegurança, como o arranque seguro e os sistemas operativos assinados, tornaram o Edge um elemento cada vez mais fiável da arquitetura global de segurança.
As soluções de vigilância móvel, como os reboques equipados com câmaras, não são uma tendência isolada. Contudo, por diversos motivos – comerciais e tecnológicos – a vigilância móvel já regista um crescimento significativo e prepara-se para uma expansão acelerada no próximo ano.
Do ponto de vista tecnológico, a melhoria da conectividade desbloqueou a utilização de câmaras de maior qualidade e mais avançadas em soluções móveis. O acesso remoto e a IA no Edge potenciaram ainda mais as capacidades destas soluções, tornando-as uma opção atrativa para uma variedade cada vez maior de contextos, desde segurança pública a estaleiros, festivais e eventos desportivos.
A gestão de energia nas câmaras também evoluiu, permitindo um menor consumo sem comprometer a qualidade, o que é essencial quando as soluções dependem de baterias ou de energia renovável. Para lém disso, uma solução de vigilância móvel é muitas vezes mais fácil de aprovar do que uma instalação permanente. Em última análise, estes avanços tornam possível assegurar a segurança e proteção em locais onde a presença de equipas de segurança física é difícil ou indesejável.
Esta é menos uma nova tendência, e mais uma reflexão sobre uma das nossas tendências do ano passado: as empresas de diversos setores procuram assumir maior controlo sobre as tecnologias-chave essenciais para os seus produtos. (Um exemplo são as empresas automóveis que pretendem desenvolver os seus próprios semicondutores para mitigar as perturbações nas cadeias de fornecimento.)
No entanto, como muitas dessas organizações têm descoberto, expandir o foco de uma área tradicional do negócio (por exemplo, produção automóvel) para uma área completamente diferente e potencialmente complexa (como o desenvolvimento de semicondutores) é mais fácil de dizer do que de fazer. Estas tentativas evidenciam também como as cadeias de fornecimento globais estão interligadas e que a autonomia total é praticamente impossível de alcançar.
Tal como fazemos há mais de 25 anos na Axis, o foco da autonomia tecnológica deve centrar-se nas áreas de um negócio que têm impacto real na oferta de valor. A conceção do nosso próprio sistema no chip (SoC), o ARTPEC, permitiu-nos obter controlo total sobre a funcionalidade dos nossos produtos. Um exemplo claro deste benefício é a nossa capacidade de ser o primeiro fornecedor de equipamentos de vigilância a disponibilizar codificação de vídeo AV1 aos nossos clientes e parceiros, para além dos formatos H.264 e H.265. Esta abordagem permite-nos também preparar-nos para tecnologias futuras, antecipando oportunidades e riscos, mesmo aqueles que ainda parecem distantes.
Fonte: Axis Communications
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